A música te faz arrepiar ou só serve de muleta pros seus sentimentos?
Tem gente que tem música pra tudo.
Tem gente com música pra colocar roupa. Música para viajar rápido. Música para acordar. Música pra acordar de bom humor. Música pra acordar sofrendo. Música pra arrumar franja. E até música pras situações que dão errado (minhas preferidas!). Me lembro de um dia, lá pros idos de 2002, quando fui cortar o cabelo. Poderia ter ouvido “Cut Your Hair” do Pavement. Mas essa é uma música para quando você vai cortar o cabelo. Meu caso foi diferente. Eu fui e dei de cara com a porta do barbeiro fechada. Daí, não pude cortar. cheguei em casa e peguei um CD que meu pai havia me emprestado. Faixa 3. “Almost Cut My Hair” – Crosby, Stills, Nash and Young (the “Neil Young”).
Lembro também de amigos adolescentes que curtiam o underground e ouviam “emocore”, da época do Texas Is The Reason, Embrace (do Ian MacKaye) e os nacionais CPM22 (quando eles eram banda, e não produto /* O Iguana que o diga… */) que cantavam gritando, com seus rostos felizes gritando sobre o drama de um relacionamento que deu errado. A música da vida deles e de outros já mudou um sem-número de vezes a cada 48 horas. Já parou pra pensar que a música da sua vida pode ser a música que te agrada? Aquela que te deixa feliz nas horas tristes ou que acalma nos momentos de fúria?
Se você acha isso, well, você não sabe o que é a música da sua vida.
Você é passivo e gosta que passem a mão na sua cabeça. A música da sua vida é como um livro do Paulo Coelho que, assim como as novelas da Globo, te mostram uma realidade que você nunca vai ter, mas acha que, de alguma forma, aquilo te afeta positivamente. Isso não é a música da sua vida. É droga. Ouça com uma garrafa de cerveja do lado ou então uma barra de chocolate.
Eu não sei qual é a música da sua vida. Mas eu tenho várias. E não só são legais como me dão até tapas na cara. Não são músicas momentâneas como “Almost Cut My Hair”, mas músicas como “She Believes”, do Pavement que me faz pensar em besteiras que já fiz na vida, me fazem arrepender e me empurram pra uma solução real. Você ouve, canta junto, pára e pensa a cada vez no que acabou de cantar. Isso é um efeito real. Te incomoda. Bem diferente de ficar fazendo posições \o\ |o| /o/ e cantar “…encosta sua cabecinha no meu ombro e choooora…”. Caros, o mundo já é muito triste pra esse monte de porcaria.
Ouça algo que faça sentido. Traia seu gosto musical. Use o clichê Trekkie a seu favor e leve seu gosto musical onde ninguém jamais imaginou. Faça algo de bom pra você. Descubra você a música que te faz funcionar. Não vai ser fácil. Mas o processo pode ser muito mais interessante e divertido do que você imagina.



