A música da sua vida

Junho 16, 2008

A música te faz arrepiar ou só serve de muleta pros seus sentimentos?

Tem gente que tem música pra tudo.

Tem gente com música pra colocar roupa. Música para viajar rápido. Música para acordar. Música pra acordar de bom humor. Música pra acordar sofrendo. Música pra arrumar franja. E até música pras situações que dão errado (minhas preferidas!). Me lembro de um dia, lá pros idos de 2002, quando fui cortar o cabelo. Poderia ter ouvido “Cut Your Hair” do Pavement. Mas essa é uma música para quando você vai cortar o cabelo. Meu caso foi diferente. Eu fui e dei de cara com a porta do barbeiro fechada. Daí, não pude cortar. cheguei em casa e peguei um CD que meu pai havia me emprestado. Faixa 3. “Almost Cut My Hair” – Crosby, Stills, Nash and Young (the “Neil Young”).

Lembro também de amigos adolescentes que curtiam o underground e ouviam “emocore”, da época do Texas Is The Reason, Embrace (do Ian MacKaye) e os nacionais CPM22 (quando eles eram banda, e não produto /* O Iguana que o diga… */) que cantavam gritando, com seus rostos felizes gritando sobre o drama de um relacionamento que deu errado. A música da vida deles e de outros já mudou um sem-número de vezes a cada 48 horas. Já parou pra pensar que a música da sua vida pode ser a música que te agrada? Aquela que te deixa feliz nas horas tristes ou que acalma nos momentos de fúria?

Se você acha isso, well, você não sabe o que é a música da sua vida.

Você é passivo e gosta que passem a mão na sua cabeça. A música da sua vida é como um livro do Paulo Coelho que, assim como as novelas da Globo, te mostram uma realidade que você nunca vai ter, mas acha que, de alguma forma, aquilo te afeta positivamente. Isso não é a música da sua vida. É droga. Ouça com uma garrafa de cerveja do lado ou então uma barra de chocolate.

Eu não sei qual é a música da sua vida. Mas eu tenho várias. E não só são legais como me dão até tapas na cara. Não são músicas momentâneas como “Almost Cut My Hair”, mas músicas como “She Believes”, do Pavement que me faz pensar em besteiras que já fiz na vida, me fazem arrepender e me empurram pra uma solução real. Você ouve, canta junto, pára e pensa a cada vez no que acabou de cantar. Isso é um efeito real. Te incomoda. Bem diferente de ficar fazendo posições \o\ |o| /o/ e cantar “…encosta sua cabecinha no meu ombro e choooora…”. Caros, o mundo já é muito triste pra esse monte de porcaria.

Ouça algo que faça sentido. Traia seu gosto musical. Use o clichê Trekkie a seu favor e leve seu gosto musical onde ninguém jamais imaginou. Faça algo de bom pra você. Descubra você a música que te faz funcionar. Não vai ser fácil. Mas o processo pode ser muito mais interessante e divertido do que você imagina.


D&D Insider

Junho 14, 2008

Ta todo mundo falando do D&D Insider. Pra quem vive no mundo da lua (ou é pior por que não joga RPG) o insider é uma suite de ferramentas para se jogar D&D online. Ou pelo menos é o que a Wizards of the Coast gostaria que foce.

Em teoria o pacote de ferramentas é otimo! Possui um criador de “Ilustração 3D” para os seus personagens e NPCs, um construtor de ficha, um tabuleiro virtual com dados, mapas e tudo mais que você possa precisar pra jogar, um criador de dungeons para o mestre alem da copia virtual de todos os seus livros de papel e as revistas dungeon e dragon. Tudo por us$14,90. Um preço ate aceitável na minha opinião se você for usar tudo que oferece.

Na pratica, Quarta edição do D&D foi lançada a quase 10 dias e ate agora nenhum sinal do Insider. Alguns boatos dizem dezembro outros dizem que o beta é uma pilha de bugs intermináveis.

Para nos mortais só resta esperar e ver no que vai dar.


Biblioteca sem paredes

Junho 14, 2008

Hoje eu estava a procura de um novo hobby. Como todo geek que se preze eu obviamente fui procurar a resposta a minha inquietação no wikipedia. E acabei esbarrando com a palavra bookcrossing. Ao ver a palavra eu achei que era algo engraçadinho como trocar capas de livros caretas por algo perturbador (um, isso daria um bom hobby) mas para minha surpresa não era. Na prática você pega um livro e cria um BCID (BookCrossing ID) para ele, escreve de caneta no livro com o nome nome do site e simplesmente o deixa em um lugar publico para que outra pessoa o encontre.

Para minha surpresa mais de 600k de pessoas em 130 países diferentes participam dessa “loucura”. Pensei, bando de gringo louco. Resolvi dar uma procurada para ver quantos brasileiros praticavam o bookcrossing e para minha surpresa o site respondeu gentilmente ” Found 4,145 members matching your search criteria…”

Bom, depois que o Ed (vocês não conhecem o Ed) devolver o meu Neuromancer vou criar um BCID para ele e ver no que da e aviso vocês.

http://www.bookcrossing.com/


A definição de um Geek

Junho 10, 2008

De que é feito um geek? Ao pensar sobre o que escrever para o blog, me deparei com essa pergunta.

Percebi que seria melhor, talvez, me perguntar o que distingue um geek de um fã, ou de uma pessoa “comum”. Deixando de lado o distanciamento saudável entre o pesquisador e o seu objeto de estudo, já que eu mesmo sou um geek, cheguei a algumas conclusões. Espero que concordem ou, ao menos que o debate seja proveitoso…

A primeira coisa a fazer para se entender o que distingue um geek é pensar o que os geeks têm em comum. No cerne de todo geek estão dois aspectos complementares e indissociáveis que serão, portanto, discutidos em conjunto:

O geek é uma pessoa que tem interesse acima do normal em ao menos um assunto. Nisso nos assemelhamos muito aos fãs e colecionadores. O assunto em especial não tem muita importância, pode ser qualquer coisa, de futebol a arte moderna, passando por culinária, RPG, computadores, literatura inglesa do século XIX e até mesmo selos.

A diferença é que o geek não se contenta em apenas observar o seu objeto. Somos inevitavelmente compelidos a passar nossos pensamentos por um prisma, que os decompõe em elementos identificáveis dentro do nosso paradigma particular. Chamo aqui de paradigma o conjunto de sistemas lógicos racionais que construimos em torno dos nossos objetos de interesse.

Um exemplo: um geek de RPG frequentemente se pega pensando em coisas como “Nossa, tirei um 20 em Diplomacia falando com a minha mãe agora” ou “Puxa, essa menina (ou esse cara) tem 5 bolinhas de Carisma”. Já geeks de Física conseguem encaixar expressões como “comportamento não linear” quando discutem sobre futebol ou “tunelou” ao comentarem sobre como alguém chegou rápido a um ponto de encontro.

Sendo assim, uma pessoa que começa a usar planilhas de excel e procurar fórmulas matemáticas para entender como o Oswald de Souza faz as previsões dele para o Campeonato Brasileiro e que, mesmo sendo formada em algo totalmente desligado da matemática, resolve estudar estatística “nas horas vagas” para poder se aprofundar mais nas discussões sobre o seu time de futebol, é certamente um geek. Não porque usou ferramentas matemáticas, mas porque foi além do simples interesse pelo time e criou todo um paradigma em torno do futebol.

É, então, o diálogo entre um objeto de interesse qualquer e a propensão e necessidades intrínsecas de um proto-geek em criar sistemas racionais para interagir e se relacionar com o mundo que faz com que uma pessoa passe de “interessada” ou “fã” a geek. Seja em convenções de anime ou de ficção científica, em aulas de culinária ou física quântica, estamos todos ligados por esse núcleo comum.

Derivo disso então que a comunidade geek é muito maior do que se poderia supor a priori, especialmente porque a imagem do geek é geralmente associada aos geeks de informática e ciências exatas, fazendo genuinos geeks de áreas como ciências humanas, sociais ou até mesmo do mundo artístico, não se identifiquem como geeks.

Este post, por sinal, é um exemplo de como um geek de ciências exatas decompõe um fenômeno da área das ciências sociais em termos que é capaz de entender e analisar. É também um bom exercício de metageeking, ou seja, o estudo dos geeks por eles mesmos, coisa que será relativamente comum em um ambiente habitado por textos escritos por geeks e para geeks.


O Geek e suas ferramentas – Parte 1: Power tools

Junho 6, 2008

Ferramentas elétricas, ou power tools são brinquedos de adulto que todo geek deveria ter.

O motivo? Siga meu raciocínio:

A maioria de nós tem um (ou talvez mais de um) canto especial no coração (e na casa) para gadgets eletrônicos, memorabilia de cinema, televisão ou afins e livros, MUITOS livros. Esses são os objetos com que mais nos identificamos.

Geeks em começo de carreira também costumam morar em lugares pequenos. Sabemos o quão precioso é cada cantinho de um apartamento e vivemos tentando espremer mais e mais coisas legais e bacanas nos espaços de armários e estantes que evidentemente foram planejados para bibelôs de porcelana e meia dúzia de livros.

Além disso tudo, somos uma sub-cultura muito associada à imaginação e à criatividade (pra não dizer que somos palpiteiros também) e certamente você já se pegou pensando em como um dado móvel da sua casa poderia ser 10 vezes melhor ou pelo menos 2π/√3 vezes mais eficiente se fosse feito do SEU jeito.

Finalmente, mais de um geek já se encontrou na situação de precisar de algum tipo de recipiente no trabalho que simplesmente não conseguiu encontrar para vender, ou então que seria absurdamente caro.

Já viram onde as ferramentas se encaixam nisso? Sim, elas se encaixam, cortam e furam tudo que você precisa para montar seus próprios móveis, recipientes, “instrumentos-musicais-estranhos-cujas-instruções -você-achou-em-um-site-russo” ou simplesmente para dar forma tridimensional e sólida à suas idéias criativas.

Claro que ninguém se transforma em Handy Andy (ver também Changing Rooms, passa no People+Arts aqui no Brasil). De fato, a primeira coisa que você aprende é: isso definitivamente não é tão fácil quanto parece. Logo depois você percebe que seu bom senso não é tão bom assim…

A vantagem é que, apesar das ferramentas em si serem um pouco caras (mas, sinceramente, não mais que um celular) e pelo preço de um N95 que você vai trocar em 2 anos dá pra comprar uma furadeira/parafusadeira profissional sem fio (o que eu garanto é MUITO divertido).

Alguns outros gastos vêm junto, como brocas, serras e todas essas coisas. O importante é ver que essas ferramentas, teoricamente, vão te acompanhar por boa parte da vida e é pouco provável que fiquem obsoletas. Claro que elas ocupam espaço, mas ao mesmo tempo, elas podem te ajudar a ganhar espaço também. Sem contar que, se tudo mais falhar, você ainda pode transformar seu hobby em algo lucrativo!

Apesar de eu estar parecendo um vendedor de loja de ferragens, a idéia por trás do post é: brincar com ferramentas elétricas é mais ou menos como programar, só que sem computador. Você tem que pensar no que vai fazer primeiro, pode encontrar bons guias tutoriais na internet (e provavelmente muita porcaria também) e vai ter mais uma maneira de exercitar a sua criatividade (sempre importante pra um Geek saudável).

Não precisa também sair correndo pra montar sua própria cama, já que coisas como camas e armários podem ser um pouco complexas e frustrantes (sem contar que se der errado você vai dormir no chão) pra uma primeira abordagem. Começar com algo mais simples pode ser uma boa idéia. Talvez um apoio para os pés (sempre útil pra programadores) ou alguma outra coisa pequena que você tem vontade/necessidade de fazer.

Depois de alguma prática, assim como na programação, o céu é o limite e você pode resolver fazer coisas mais complicadas, com compartimentos secretos e mecanismos dignos de uma escotilha DHARMA. Sem contar o ocasional case mod.

Ah, para os que estiverem imaginando que eu sou um grande adepto da bricolagem: fiz meu primeiro projeto hoje e ele é uma caixa de MDF para isolar um interferômetro óptico que precisa ser estável na casa dos micrometros (Geek o suficiente pra vocês?). Pretendo me envederar por esse caminho, então conto pra vocês o resultado aos poucos…


Coisas úteis a se fazer com seu mac antigo.

Junho 5, 2008

Ok. Eu sei que este não é o melhor modo de se iniciar um blog relevante, mas eu nao poderia deixar de de falar do maravilhoso Power Mac G4 Cube e suas utilidades. Quando aquele computador saiu em 2000 eu realmente pensei que Kubric estava certo. Ele parecia um crossover de HAL de 2001 com o iMac (que na época ainda parecia uma cereja). Claramente algo que so poderia sair de uma mesa de projetos da Apple.

Enfim. Varios anos se passaram e o Cube hoje na beira de seu oitavo aniversário ja nao tem tanta ultilidade para o nicho que foi concebido. Dai vem o sentimento de abandonar um mac velho. É sempre dificil. Foi intão que nossos amigos Carrie & Joe bolaram uma coisa bem legal la em 2003. Tranformaram o seu Cube em um aquário.

Cube Auqrium

Outra coisa legal pra se fazer com seu mac antigo, no caso um Mac Classic é continuar usando. Ou pelo menos parte dele. O que nao falta hoje na internet sao mods (modificações) para macs, principalmente mac minis. Um dos mais legais que eu vi é esse que liga um Mac Mini no monitor de um Classic.

Mini Classic

Agora se voce é podre de rico e acabou de trocar todos os 70 macs do seu estudio de design por outros 70 iMacs, o mais legal a se fazer eh transformar em decoração como fez nosso amigo “soybuger“.

SoyBurger

Se o mar não esta para peixe e a solução é continuar usando aquele iBook velho como computadore de casa nada impede de fazer isso com estilo. Com um pouquinho de dinheiro e talento com ferramentas pesadas voce pode transformalo em um wanna be Mac Pro. Não é tão poderoso mas putz, como é bonito!

Wanna be Mac Pro